Demolidor – 3ª temporada: Justiça e fé são lados da mesma moeda!

Este ano já tivemos as novas temporadas de Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, que até agradaram uma parte do público, mas nenhuma de uma maneira colossal. Só restou uma série que esperasse cumprir não apenas as expectativas da nova temporada, mas também manter o nível do que foi apresentado nas ultimas exibições: Demolidor. Desde que foi anunciado que Rei do Crime voltaria a ser o vilão principal, a divulgação dos primeiros trailers e a confirmação do Mercenário no terceiro ano, o público desejava para que chegasse logo a data de lançamento. Pois bem, a temporada chegou e veremos se valeu a pena a espera.

Assim que foi noticiado que a terceira temporada se inspiraria em “A Queda de Murdock”, já esperávamos uma trama bem densa e pesada, assim como foi o arco dos quadrinhos. E não nos decepcionou. Todos, sem exceção, sofreram bastante por toda a temporada. E, assim como os personagens, também sofremos a cada episódio que se seguia. Com exceção do último episódio, os “mocinhos” sofreram com as ardilosidades dos vilões. Era tanto beco sem saída, que você se questionava se a temporada terminaria com algum final feliz (será que termina?), e isso fazia com que nós ficássemos na curiosidade do próximo episódio, o que é um fator fundamental para uma maratona.  Além disso, não só de maldades os protagonistas sofriam, como também com seus dramas pessoais. Todos os personagens se questionavam se eles tomavam o rumo certo ou teriam que se transformar no monstro que combatiam, isso se já não estavam se transformando. Para uma série de super-herói, você pode até achar que o drama não deveria ta em foco e sim a ação. Porém, está tudo dosado na medida certa. Os questionamentos pessoais, o suspense do próximo passo, tanto do bem quanto do mal, e, claro, a ação predominante da série.

Matt Murdock, a.k.a Demolidor, está em conflito como nunca tínhamos visto antes. Em duvida sobre sua fé, o herói vem se reerguendo a cada episódio. E, enquanto víamos ele se recompor, parecia que nós estávamos nessa luta com ele. Afinal, até mesmo nós, meros mortais, já tivemos nossas dúvidas em relação à fé. Claro que não iremos tocar no assunto sobre religião e existência de Deus, mas era muito bonito de se ver o quanto a religião e a fé serve como base para o herói, moldando seu caráter, apesar dos vários baques que ele sofreu em toda sua vida. A atuação de Charlie Cox foi excelente, pois demonstrava conflito, ao mesmo tempo em que em certas ocasiões, ele não queria se tornar aquilo que odiava. Agora, se você pensa que Matt Murdock foi o que mais sofreu, Karen Page mostra que você está completamente enganado. A personagem sofreu bem mais com as consequências do seu passado e com o assassinato de James Wesley do que no segundo ano da série. Assim como o trauma e as decisões de Karen a corroíam, a personagem tentava se mantiver sã e não desabar em todos os obstáculos. Isso não quer dizer que também não víamos fragilidade e medo que a personagem sentia após ver mais um ato feito pelo Rei do Crime e após vermos o passado dela. Mesmo assim, a evolução foi iminente e a personagem se tornou um dos pilares da série, assim como Demolidor é.

Nelson Foggy foi um dos personagens mais centrados, até mesmo mais que o Rei do Crime. Apesar da situação bem crítica, o advogado manteve a sanidade, e procurou resolver tudo dentro da lei, nos dando mais esperança de deter o Rei do Crime do que o próprio Demolidor. O que mostra que precisamos de heróis como Foggy no mundo real. Já o Agente nadeem, interpretado por Jay Ali, demorou a se encontrar na história. Na primeira metade, a série dava uma importância sem sentido, até dando cenas que se destoava com o restante da trama. E pense num personagem burro para a situação. Sei que o objetivo era mostrar um agente ingênuo que queria acreditar nos seus objetivos e fazer do mundo um lugar melhor, mas claramente ele estava sendo manipulado, sendo que todos os outros percebiam isso, menos ele. E chegava a ser incômodo isso, pois acaba tratando o público com a mesma ingenuidade. Felizmente, na segunda metade o personagem já mostrava imponência, não queria mais agüentar as injustiças, mesmo já sabendo que estava sendo manipulado. Também foi um dos personagens que mais ganhou evolução, mesmo que tenha estreado nesta temporada.

Agora vamos falar dos antagonistas. Wilson Fisk, o Rei do Crime, interpretado por Vicent D’Onofrio, superou as expectativas. Se na primeira temporada, ele já demonstrava o auge da maldade, neste ano ele ultrapassou os limites da vilania. Manipulador, cruel, mas ao mesmo tempo, mostrando em seu semblante uma face insegura e demonstrando certa fraqueza, a gente até sentia certa pena pela forma como os agentes do FBI o tratava. Porém, ao deixar a máscara cair, ficávamos assustados e, ao mesmo tempo, fascinados com o dom de poder que o Rei do Crime tinha. Palmas para o brilhantismo do ator. E finalmente temos o Mercenário na série do Demolidor! Depois de três anos, finalmente vimos um dos melhores vilões dos quadrinhos da Marvel, no universo da Marvel na Netflix, porém, completamente diferente do que conhecemos. Nas histórias em quadrinhos, o mercenário é um psicopata totalmente desprovido de emoções, que só pensa na sua sede de matar e deter os principais alvos pelo qual foi contratado. Já na série, apesar de demonstrar certa psicopatia, o vilão se mostrou mais humano, demonstrando certa dependência em alguma figura paternal. Mesmo assim, essa mudança não é ruim, pelo contrário. O vilão até apresentou certas semelhanças com o herói, se tornando até uma contraparte maligna, mostrando que mesmo tendo uma infância ruim e com o sentimento de abandono, suas escolhas podem determinar o seu destino, e não as circunstâncias. O vilão também ganhou uma brilhante história de origem, ganhando até um episódio dedicado a isso. Mercenário é a prova de que até uma mudança em relação aos quadrinhos pode ser uma coisa boa.

As cenas de ação da série se mantiveram em alto nível, já que é uma das marcas registradas da série. Como o Demolidor tem uma máscara que cobre metade do rosto, é bem fácil para os dublês usarem força total em suas cenas. E realmente foi bem proveitoso de assistir. Claro que no começo, a história ficou bem arrastada, pois estava focando nas consequências da segunda temporada de Demolidor e na temporada dos Defensores, mas após alguns episódios, o ritmo vai a todo o vapor. E se você espera pela cena do corredor, superando as expectativas dos anos anteriores, só te digo: Supera as expectativas! A direção se manteve da mesma forma como nas outras, o que não é ruim. Mesmo assim, as jogadas de câmeras e a direção de fotografia se destacam nesta terceira temporada.

A terceira temporada de Demolidor fechou com chave de ouro o ano das novas temporadas da Marvel. Ficamos muito decepcionados com os cancelamentos de Luke Cage e Punho de Ferro, mas se decidirem cancelar Demolidor, claramente será um tiro no pé, pois a série conseguiu se mantiver em alto nível nos três anos de exibição. Agora só esperar por mais histórias do herói urbano de Hell’s Kitchen.

 

(Visited 38 times, 1 visits today)