Punho de Ferro – 2ª temporada – Uma chama de esperança se acende!

A segunda temporada de Punho de Ferro veio com aquele sentimento de algo desnecessário, pois, com uma primeira temporada péssima e uma atuação apagada na minissérie Os Defensores, o público nem estava com tanta vontade de ver a continuação das aventuras de Danny Rand e Collen Wing. Tanto que, quando a série estreou, pouco foi comentado nas redes sociais e a maioria nem sequer viu, com medo de passar mais 10 episódios sofrendo em ter que assistir algo ruim. Mas como o autor que vos escreve é guerreiro (e um pouco sofredor?), acompanhei a segunda temporada e vamos descobrir o que foi acertado e o que, mais uma vez, foi um erro.

Vou logo avisando que essa review vai comparar bastantes as duas temporadas de Punho de Ferro. Afinal, temos que pontuar o que foi mudado em relação ao primeiro ano, além de mostrar alguns erros que se repetiram.

Vamos começar pela estória. O enredo está bem menos confuso. Não são vários caminhos que o Punho de Ferro tem que seguir que acaba sendo bagunçado, como foi no primeiro ano. Foi traçado apenas uma narrativa para o Danny Rand e as novas informações apresentadas eram consequências do que já foi dito. Nesta temporada, também teve algumas tramas paralelas que acabaram sendo interessantes como a origem de Mary Typhoid (Ou Mary Walker, na série) e a luta de Ward contra seu vício, mas foi bem raso em focar nas motivações dos vilões, que foram o Davos e Joy. Para não dizer que Davos não teve uma trama paralela, um episódio foi focado em seus objetivos, do porquê ele se rebelar contra Danny Rand, já que ele era seu aliado na primeira temporada. Plausível, mas ao mesmo tempo genérico. Só não foi pior que a motivação de Joy, que repetidas vezes falou que ela fez o que fez por estar “magoada” com Danny e Ward. Muito superficial.

A trama também seguiu o esquema da “jornada do herói”. Mas não foi a jornada de Danny Rand, e sim de Collen Wing. Ouso dizer que a protagonista da série foi Collen Wing, pois a personagem pareceu mais centrada nos seus objetivos, mais focada nos seus princípios, ajudando diretamente ou indiretamente em várias ocasiões e carregando a série nas costas. Tanto que há uma breve redenção em sua vida heróica no decorrer da temporada. A atriz Jessica Henwick realmente se doou em cada etapa da personagem em sua peregrinação em se tornar uma super-heroína. Finn Jones também teve evolução em sua atuação. Ainda falta muito carisma para ser o Punho de Ferro, mas, nesta temporada, ele está menos opaco, mais solto, se podemos dizer assim. Só que, pelo fato dele ainda não ter tanto carisma, ele acabou se tornando um coadjuvante pelo que Jessica Henrick se tornou nessa segunda temporada. Agora em relação à coreografia das lutas, os dois atores melhoraram infinitamente. Em algumas ocasiões, dá para se notar um certo mecanicismo na lutas, deixando bem telegrafada, mas a melhora está absurda, tanto que em certas cenas, dava gosto de admirar as brigas dos heróis com ladrões, capangas de gangues e com o vilão Davos.

Falando em Davos, e complementando o que foi dito acima, o personagem, que se tornou o vilão principal da segunda temporada, não foi tão grandioso como os outros vilões do universo da Marvel na Netflix, mas também não foi sem-graça como outros. Ele foi “ok”, o que não deve ser dito como elogio, em um universo onde existe o Rei dro Crime e Boca de Algodão e existiu Killgrave. E, podemos dizer que, em alguns momentos, a atuação de Sacha Dawan se tornava um pouco caricata, o que não aprecia condizente com o universo criado na série. Poderia ter sido uma escolha de direção, mas não apreceu uma escolha acertada. Já Joy conseguiu ser bem mais sem graça do que ela foi à primeira temporada. Ela era apenas uma das ferramentas de Davos em sua jornada de vilão, não parecia que ela tinha personalidade em suas motivações. O roteiro tentou nos empurrar uma razão dela estar fazendo tudo aquilo, mas o fato dela estar na trama ou não, não fazia muita diferença. Já a Mary Walker ganhou uma bela história de origem na série. Apesar de que a atuação de Alice Eve era bem automática quando ela se tornava a Walker, no decorrer dos episódios ela conseguiu acertar o tom. Já na sua atuação como Mary, ela acertou a medida do tom desde o começo, parecendo ser realmente outra pessoa quando o seu “lado bom” ressurgia. E as expectativas sobre Blood Mary estão bem altas!

Ward foi o personagem que mais ganhou profundidade nesta série. Tanto que sua trama paralela era praticamente uma série dramática dentro de uma série de super-herói. As várias camadas que você via sobre o Ward nos fazia brotar vários sentimentos: Pena, raiva, ódio, são sentimentos ruins que são coisas boas pra gente sentir em um personagem que até a primeira temporada, estava perdido, pois não se sabia se ele era vilão ou mocinho, os roteiristas não se decidiam. Neste ano, o personagem ganhou uma espécie de redenção, tentando se redimir dos erros do passado, lutando contra seus vícios, tentando ser uma pessoa melhor. E olha, ele foi uma pessoa melhor, da sua maneira, mas a sua redenção só será completa na terceira temporada.

Outros personagens coadjuvantes, como BB e Misty Knight cumpriram seu papel que era dar suporte para os personagens principais em seguir seu caminho na narrativa. Mas nada que foi mais um destaque na série. A direção da série também não teve muitas mudanças, assim como os efeitos especiais. Tudo foi mais do mesmo. Só o que teve mais evolução foi, repetindo mais uma vez, as coreografias da lutas. Realmente, contratar o coreógrafo de luta do filme do Pantera Negra foi um acerto e tanto.

A segunda temporada de Punho de Ferro teve mais melhoras do que erros, mas está longe ainda de ser uma das melhores séries de super-herói da atualidade. Mas devemos admitir que ela merecesse uma chama de esperança, pois os erros foram consertados e a terceira temporada promete ser melhor do que foi a segunda temporada. Se até Arrow teve uma melhora, por que não Punho de Ferro?

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