Kingsman: O Círculo Dourado – Review

Kingsman foi uma enorme surpresa para o público, quando estreou em 2015, garantindo um enorme sucesso quando foi exibido nos cinemas, e o filme nem era tão esperado assim. Para se ter uma ideia, muitas pessoas pensaram que seria mais um filme de ação genérico e não sabiam que era baseado em uma Graphic Novel de Mark Millar, o mesmo que criou Kick-Ass e Old Man Logan. Ou seja, já sabe que a estória foi criada por um gênio. E já que o primeiro filme foi um sucesso, nada mais justo que um segundo filme tenha sido encomendado. Bom, Kingsman: O Círculo Dourado já estreou, será que ele é tão bom quanto o primeiro?

O enredo do filme é quase parecido com o anterior, com exceção de que nesta estória, certos momentos parecem que são fora da realidade, como por exemplo cachorros robôs assassinos e pessoas sobrevivendo a tiro na cabeça (não é spoiler, isso foi mostrado no trailer). O fato de ser “fora da realidade” não é um problema, mas você precisa ir com a mente muita aberta quando for assistir. Não espere um filme cabeça, que faça você pensar e refletir sobre algo. É puro entretenimento e diversão escapista, afinal é uma sátira dos filmes de espionagem, então o filme não se leva a sério, isso foi proposto desde o primeiro capítulo. Outro detalhe do enredo do filme, é que tem bastante estória paralela. Além da trama principal, da vilã querendo dominar o mundo, também tem a trama do Eggsy e a Princesa Tilde, o retorno de Galahad, Ginger e sua batalha para ser uma agente, o presidente querendo acabar com todos os drogados, enfim isso pode confundir ou incomodar muita gente.

O protagonista Eggsy, interpretado por Taron Egerton, teve uma evolução em relação aos dois filmes. O ator transmitiu uma certa superioridade quando ele é um espião e quando é um civil, muda sua postura para ser uma pessoa como qualquer um. Em relação ao personagem, antes ele era apenas problemático sem nenhuma educação, agora ele já é bem mais cavalheiro, a suas lutas evoluíram bastante também, então Kingsman ensinou muita coisa desde que ele entrou na organização. Mesmo assim, ele ainda tem a sua personalidade desde o início, o exemplo disso é que quando ele está com trajes de civil, ele continua com o mesmo visual de antes de ser espião, se porta como uma pessoa comum, na humildade, mesmo namorando uma princesa da Suécia. Aliás, o relacionamento entre Eggsy e Tilde ocuparam bastante tempo na tela. Em certos momentos, pode parecer desnecessário, mas você entende que também pode ser crucial para a estória. Mesmo assim não deixa de parecer um pouco irrelevante para a trama.

Vamos falar um pouco sobre o retorno de Galahad. Você precisa estar muito, mas muito mente aberta com as loucuras do filme, porque a forma como Galahad é salvo de um tiro na cabeça, não faz sentido nenhum. Tem gente que vai deixar passar porque entende que o universo do filme pode acontecer de tudo. Mas também tem pessoas que não vão engolir essa. Em compensação, a forma como Galahad tenta voltar ao seu mundo é bem interessante. A dinâmica entre ele e Eggsy foi bem profunda, afinal o mentor de Eggsy está sem memória e pode ficar assim para sempre. E ele é um espião excepcional que pode agregar bastante para a missão, fora que foi praticamente um pai para o Eggsy. E a química entre Colin Firth e Taron Egerton continua primorosa, assim como o primeiro filme. Tanto quando ele estava sem memória e quando ele volta à ativa. A gente já esperava uma atuação brilhante de Colin Firth, afinal o cara já é um exímio cavalheiro na vida real.

A vilã do filme, Poppy, vivida pela atriz Julliane Moore, foi uma personagem bem caricata, sendo bonitinha no começo do filme, mas depois bem irritante com sua personalidade. Na verdade, foi bem mais caricata do que o personagem do Samuel L. Jackson, na outra estória. Agora, em questão de plano maligno, foi construído um belo debate no decorrer da trama, e deve ter despertado a opinião até com sua audiência. Se você pudesse salvar as pessoas que são dependentes de alguma droga ilícita, você salvaria elas? Tem que admitir, é um belo debate filosófico. Outro vilão que pareceu ser um capanga mas teve bastante personalidade foi Charlie Hescketh, vivido por Edward Holcroft. Para quem achou que ele seria aquele valentão cego pela vilã, se enganou bastante. Mais uma trama incluída no filme que é a questão de Eggsy contra Hescketh. E, foi uma das melhores tramas e uma das melhores lutas no filme. Palmas para os dois atores.

Em questão dos coadjuvantes, dois se destacaram: Merlin e Whiskey. Merlin, no primeiro filme, serviu como um suporte técnico para os protagonistas, mas não se aprofundou nada de sua estória. No segundo filme, o personagem já ganhou um destaque maior, ganhando mais profundidade e personalidade, mostrando seus desejos e sua fraqueza depois de ver Kingsman destruída. E em uma cena particular, o personagem ganhou a sua grandeza (não irei dizer qual, porque seria spoiler!). Whiskey, vivido por Pedro Pascal também roubou a cena a cada minuto que se passava. O ator tem uma presença de cena que em cenas em que ele não falava nada e outra que ele é crucial para o filme, simplesmente é impossível não olhar para ele. Roubou a cena tanto nos diálogos quanto na cena de luta. Você já viu como os espiões de Kingman lutam, agora vocês veem como os espiões de Statesman lutam. E devo dizer, os combos com os apetrechos da organização são belos de se ver.

Outros coadjuvantes estão lá apenas como um pequeno suporte para o filme e os protagonistas. Halle Berry, que interpretou Ginger, quase teve um destaque, mas toda vez que que sua trama iria começar a ser desenvolvida, a atenção voltava para outro caminho, deixando ela de lado. Foi bastante decepcionante, para se falar a verdade. Jeff Bridges, o Champagne, serviu apenas para ser o chefão da Statesman que dá as ordens e a direção para os espiões seguirem, para a trama prosseguir. Um talento desperdiçado também. Channing Tatum foi o que teve menos destaque de todos. Serviu apenas para mostrar uma cena de luta e nada mais. A maior parte do filme ficou desacordado, ou seja, com ele ou sem ele não iria fazer nenhuma diferença. Agora, um personagem que merece toda a atenção em todas as cenas, é o Elton John, interpretando ele mesmo. Engraçado e sujo. Só posso definir assim a sua interpretação. E isso é um elogio.

A direção de Matthew Vaught foi feita da mesma forma como no primeiro filme. Sem muitas surpresas. E o diretor apostou no que deu certo antes. Como por exemplo, no filme anterior teve a famosa cena da igreja, que foi elogiada pelo público geral. No filme atual, a maneira como foi filmada a cena da igreja, foi posta em todas as cenas de luta, o que não é ruim, já que em time que está ganhando não se mexe. Mas se for destacar uma cena de luta, todas as cenas de luta de Whiskey, a cena da perseguição de carro e a luta final, são os que deixam a adrenalina do público a mil. A trilha sonora casou bem com cada cena que se passou, mas não foi nada de extraordinário, que pudesse ser marcante. Os efeitos especiais poderiam ter sido feitos de uma maneira melhor (relaxa, não é spoiler). Em pleno 2017, poderia ter sido bem executado. Mas nada que incomode a experiência do filme no cinema.

O segundo filme é melhor que o primeiro? Não. E nem pior. Só manteve o nível do que já foi mostrado, continuando com o que foi acertado e simplesmente executado para que o público estivesse satisfeito com o resultado. Pode parecer um pouco covarde, mas isso torna o filme ruim? Claro que não. Mesmo com esses defeitos, é um belo filme para se divertir e passar o tempo de uma maneira leve e escapista.

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