Review – Death Note (Netflix)

Death Note é um dos animes mais famosos de uma geração. Com um jogo de poder psicológico, embates de inteligência e um suspense que deixa qualquer um à flor da pele, o anime foi um marco nos mangás e conquistou vários fãs. E quando foi anunciado a versão americana para a Netflix, foi um misto de expectativas, muitos estavam curiosos e outros estavam apreensivos. Bom, para muitos, esse medo se concretizou!

Antes de começarmos com o roteiro, vamos falar da adaptação, que foi usado muito pouco do original. O que foi apresentado no filme em relação ao anime, é só a base da trama. Só que a estória se desviou muito do que era proposto no anime, e mudaram muito a essência dos personagens, o que é um tremendo tiro no pé. Ryuk e Misa (ou Mia, no filme) tiveram sua mudanças na personalidade e foi aceitável para a história. Agora, a mudança de personalidade Light e L foi um grande erro, se tornando inaceitável para os fãs.

Esquecendo que é uma adaptação, vamos falar do filme. O roteiro foi bem corrido, não amarrando diversas pontas soltas postas desde o começo do filme. Talvez deixaram as respostas para alguma sequência, mas não deviam apostar nisso, seria bom já responder algumas coisas. O primeiro ato do filme apresentou alguns personagem mas deixando eles vazios, sem nos importamos com eles. O tom do filme já é estabelecido. Uma história de amor entre o excluído e a revoltada, mas se torna meio superficial e forçado ao decorrer do filme. O segundo ato, já evolui alguns personagens, mas a maioria ainda se tornam sem personalidades ou insignificantes para a trama. Já a estória se torna mais corrida ainda e tenta ser algo grandioso mas acaba caindo no clichê do amor. O terceiro ato tenta mudar o tom do amor para o suspense psicológico, e flerta um pouco com o anime, porém suas reviravoltas se tornam previsíveis e convenientes.

Houve um troca de personalidades nos protagonistas. Enquanto que no anime Light era um sociopata com um senso de inteligência bem alta e Misa era extremamente dominada pelo amor de Light e fazia tudo o que ele quisesse, no filme acontece o contrário, Mia era manipuladora e não se importando com os outros, apenas com seu benefício próprio e Light se tornou o bobo apaixonado, totalmente submisso a Mia. Falando em Light, o personagem não tem nem metade da inteligência que deveria ter. Em vez de usar seu blefe e seu raciocínio para se manter discreto e sem nenhuma desconfiança, ele é desleixado e na hora que alguém desconfia, ele se amedronta, transparecendo que tem algo de errado com ele. A Mia foi um dos poucos personagens que teve um desenvolvimento na trama, começou como alguém que não queria nada e se tornou manipuladora e fria na situações de perigo, claramente foi o que o Light deveria ter sido.

Ryuk também ficou bem diferente do anime, mas foi uma mudança bem interessante. No anime, o Shinigami era neutro sobre as atitudes dos humanos portadores do caderno. Já o do filme claramente era diabólico, e induzia o humano a escrever nomes no caderno, se tornando vilanesco durante boa parte do filme. E a atuação de William Dafoe foi magnífica, o que não é surpresa, o ator é um monstro da atuação. O problema foi o CGI. Em apenas três ou quatro cenas, o CGI do Ryuk estava bem feito, mas na maioria das vezes estava bem mal feito, quase um visual de Videogame.

Agora vamos falar sobre o L. O personagem é um símbolo da racionalidade humana. O mundo pode cair e ele continua raciocinando e deduzindo o que está de errado. No filme, os seus momentos de dedução são pobres, algumas vezes nem fazendo sentido. E a maior parte do tempo, o L se torna emotivo! Apesar das circunstâncias, ele poderia usar seu cérebro para reverter a situação, mas com a emoção à flor da pele, as atitudes se tornam burras e sem nexo com o personagem. Outros coadjuvantes da série não tem muito destaque no filme, como por exemplo James Turner e Watari. Como dito anteriormente, são personagens que se tornaram vazios no decorrer da trama, salvo algumas cenas, contudo não foi o bastante.

A direção não foi muito significativa pro filme. Foi bem mecânica, não influenciando no mundo cinematográfico. A fotografia do filme não é ruim, mas também não é um dos melhores. O CGI foi bem regular, deram maior investimento nas mortes e pouco para o visual do filme, com destaque no Ryuk. Em resumo, Em termos de adaptação, o filme é péssimo, e como filme independente também não é tão bom assim. O que é uma pena, pois perderam uma ótima oportunidade de fazer uma grande estória!

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